17.3.13

Espero Que Ela Traga As Cobertas

Eu tinha esquecido o quão louco é esse sentimento. E toda a emoção que vem junto dele. Você faz coisas impensáveis e estúpidas e em um milésimo de segundos já se arrepende eternamente, e em um outro milésimo de segundos você se sente conformado. Eu não me sinto conformado. Conformado é uma palavra vazia. Nunca me sinto conformado. Conformado é aquele que aceita condições. Eu nunca aceitei condições. Eu sou muito teimoso. Acabava tomando mais atitudes estúpidas do que pensadas, sendo persistente, chato e incompreendido. E depois disso tudo, ainda estava inconformado.

Nunca me dei bem com limitações. Todos as possuímos. Eu, por exemplo, não sei falar mandarim. Isso é uma tremenda de uma limitação. Pois se algum dia eu fosse a China e me apaixonasse, eu não conseguiria me declarar apropriadamente. Mas não sou conformado. Portanto, eu usaria minhas super habilidades de mago suposto intelectual do amor e usaria gestos e atitudes. Coisa branda, simples, e que todos sempre hão de não fazerem.

Que fique bem claro que orientais não fazem meu tipo. E que fique bem claro que isso não é nenhum tipo de preconceito. Da mesma forma que eu nunca fui atraído por loiras. E eu conheci loiras bonitas nessa vida. Ruivas, por outro lado, tem todo um charme exótico. Embora eu nunca tenha conhecido uma ruiva da forma apropriada, isto é, vendo um ser vivo desta espécie em minha frente. A pergunta que me faço é se elas realmente existem, ou se é algum plano doido de Deus pra me enlouquecer sobriamente. Afinal, após algumas gotas das garrafas endiabradas, eu estou vendo ruivas em todos os lugares. O que não é verdade.

A verdade, por outro lado, são as morenas. De peles bem claras. Ah, essas meu amigo me levam a loucura até hoje. Se alguma parte de mim ainda é sã, é porque ela ainda não teve contato com essas mulheres. E elas são meio doidas e completamente retardadas. Me levam do riso à vontade de me jogar da ponte em poucos segundos. E isso é recorde. Mais rápido que Usain Bolt. E aquele negão corre.

Não são tantas morenas assim. Esse rapaz não é prático suingueiro da noite. O plural utilizado é para se tirar o foco. E o foco me foi tirado da proposta desse texto. Só para me complicar um pouco mais. E quem está lendo, se é que você ainda se arriscou aventurar até os finais dessa linhas. Porque se sua curiosidade chegou até aqui acredito que esteja supondo algo sobre mim e a minha vontade de fugir para a Itália e abrir uma vinícola como bom samaritano campônes. Você supôs certo. Acredito que você deva conhecer mais sobre mim do que eu mesmo. Você deveria estar aqui escrevendo este texto, torna-lo romântico de certa forma, o bastante para que existam finais felizes.

Todo final feliz para mim passa por uma boa taça de vinho e uma louca noite de amor. O fato de eu estar tomando muito mais cerveja pode significar que alguma coisa está errada ou que ninguém mereça tomar um bom vinho. A suposição sobre abrir uma vinícola na Itália é meio desastrosa. As coisas não estão boas por aqueles lados. Até tem dono de grande organização renunciando o maior poder de todos, o de acenar feito bobo para milhares de alienados dizimeiros. Isso é engraçado.

Esse texto é sobre vinhos e cervejas. Frio e calor. Calor e ausência.

Eu não fumo, embora eu ainda tenha uma enorme vontade de posar singularmente a uma paisagem paradisíaca com as mãos enfeitadas pelo trago vagaroso de um cigarro. Eu não preciso fumar. Eu só preciso me fazer de tonto. E é como a melhor cerveja me faz sentir.

Eu senti o sabor dela algumas vezes, mas com um espaçamento terrível de tempo entre as sensações. Eu morria um pouco a cada gole. Alguma hora ia acabar. Mas não acabava pois fontes me trouxeram outras garrafas, e elas estavam geladas. Acompanhadas de muitas risadas.

Essa canção é sobre um rosto familiar já dizia o poeta. Mas tem gosto de cerveja, e um pouco de cigarro também. Eu ignorava o cigarro, o gosto da cerveja era mais prazeroso, vagaroso, culminante e comprometedor.

Me comprometia. Me comprometeu. Eu nunca mais fui o mesmo. Só mais um bêbado procurando cervejas com faces familiares que tentaram chegar aos pés do nobre gosto amoroso que me possuía em poucos momentos. E ela sempre conseguia me matar aos poucos. Com a distância, com a distância.

É que normalmente tem feito calor. Cerveja gelada é a melhor pedida. O vinho só virá com o frio e com as cobertas. Espero que ela traga as cobertas.