25.11.15

The Wonder Years - Crítica

Escrevi escutando: Axwell /\ Ingrosso - Live at Tomorrowland 2015 (Bélgica)




Tomado pela nostalgia fui lá eu vasculhar o nosso torrent de todo dia em busca de uma série que marcou a geração dos anos 90. Anos Incríveis (The Wonder Years). Quem nunca chegou a assistir sequer um episódio na TV Cultura deve ter perdido grande parte do ótimo entretenimento infantil que a emissora possuía nesta década.

A série acompanha Kevin Arnold (Fred Savage), um garoto de 12 anos, passando pela infância e adolescência em um período turbulento para os EUA, o final dos anos 60. Porém, independente do local, de grande parte dos fatos estarem relacionados à cultura americana, o que todo adolescente passa, toda aquelas novas sensações e descobertas, novas responsabilidades, desejos e decisões, estão lá. Todos passamos por isso, e por mais que essa época esteja 15 anos atrás de mim, são lembradas com grande facilidade. O primeiro amor-platônico, o primeiro beijo, as grandes amizades da infância, as brigas entre irmãos, as brigas com os pais. Tudo parte do nosso crescimento.

Por mais que eu esteja beirando os 30 anos, The Wonder Years continua me entretendo como nunca, pois finalmente tive a oportunidade de começar a vê-la em ordem cronológica, e isso pode parecer coisa de velho, mas nunca é tarde para se auto-conhecer melhor lembrando do seu passado. The Wonder Years causa isso em mim. Me mostrou como a simplicidade, ás vezes, é o melhor dos mundos.

Uma coisa que não pode deixar de ser mencionada: a trilha sonora. Fantástica. Só pra destacar a música tema, With A Little Help From My Friends, de Joe Cocker, que você podem ver logo abaixo.




Dados técnicos:

The Wonder Years (1988-1993)
Rating Imdb: 8,3
Episódio: 24 minutos
Temporadas: 6

11.11.15

The Wire - 1ª Temporada - Crítica

Escrevi ouvindo: Eagles of Death Metal - Heart On



The Wire é uma das grandes séries já produzidas pela HBO, assim escutei tantas críticas especializadas e pessoas recomendando por tanto, e resolvi dar uma chance.



Se passando em Baltimore, na cena de drogas no início dos anos 2000, The Wire acompanha um esquadrão montado pelo Tenente Cedric Daniels (Lance Reddick) com o intuito de derrubar a organização de drogas (heroína) comandada por Avon Barksdale (Wood Harris), com ajuda de "Stringer" Bell (Idris Elba).


Com o protagonismo investigativo de "Jimmy" McNulty (Dominic West), a série exibe e mostra ao espectador todo o "espetáculo" por trás de uma investigação, utilizando as escutas (remetendo ao título da série). 

A retratação da burocracia por trás das investigações torna a série viciante. Do lado policial temos a formulação das provas concretas, através das escutas, dos assassinatos e crimes envolvendo os membros das gangues, do acompanhamento diário das atividades da gangue, dos seus hábitos telefônicos, do uso de "bips celulares" (tecnologia hoje descartada), da obtenção e persuasão de vítimas e testemunhas. Do lado criminoso, a conversa telefônica usando códigos para despistar os policiais, o código de conduta em pontos de venda, o estabelecimento de hierarquia e respeito entre os membros. Do lado da lei, a burocracia envolvida em conseguir garantias, depoimentos, mandados judiciais, e principalmente a disputa de território entre departamentos policiais e a lei da cadeia alimentar dentro da polícia de Baltimore.

O mais engraçado, e fantástico, foi saber que Dominic era, na verdade, britânico. Ele interpreta brilhantemente um detetive americano tratado como prodígio, e invejado no departamento. Outro destaque é Idris Elba interpretando o braço direito de Avon. Que também, aparentemente é britânico, e não demonstra isso em sua interpretação em The Wire. Para quem não sabe, Idris é um dos candidatos a substituirem Daniel Craig no papel de James Bond nos cinemas, sendo então o primeiro negro no papel, o que seria sensacional, não somente por esse detalhe, mas pela capacidade de Elba. A torcida é gigante, pois através desse papel em The Wire, eu conheci Luther, também protagonizada por ele.





A única pisada na bola de The Wire é o tempo longo com o qual a investigação foi minuciosamente retratada, para que em um estopim praticamente no final da temporada, ter dado início a conclusão da história contada nesse primeiro ano. Mas por um outro lado, isso pode ser apenas um fato discreto que me chamou a atenção na condução da história.

Vale a sugestão para quem adora as séries da HBO, que quebram tantos tabus ano a ano.

Dados técnicos:

The Wire (2002-2008)
Rating Imdb: 9,3
Episódio: 59 minutos
Temporadas: 5

10.11.15

Amizades de Infância

Escrevi ouvindo: Broken Social Scene - Forgiveness Rock Record 



Esse último final de semana eu fiquei pensando em como as nossas vidas tomam rumos totalmente inesperados. Nossas vidas, a minha vida e a de todos os envolvidos nela e que já se envolveram algum dia. 

Eu sou o tipo de cara que gosta de uma boa conversa. No mesmo final de semana que me coloquei a pensar sobre o assunto deste texto, eu estava na casa de um amigo às 4hs da manhã, tendo chegado as 18hs do dia anterior. Algumas cervejas consumidas no caminho e uma boa música de fundo. Dos assuntos, os mais variados. É incrível como quando uma conexão funciona, não importa do que se fala. Da mesma forma que, ao contrário, a conexão não existirá. 

Do alto dos meus 27 anos, a nostalgia invariavelmente me atinge, seja uma passagem de uma música, um trecho de algo que li, uma conversa interessante, um filme, enfim. Às vezes os dias infantis vêm à tona. A primeira coisa que me vem à mente é o fato de eu ainda me achar um moleque apesar dos quase 30 anos nas costas. Isso de certa forma me assusta um pouco. Por outro lado, li em algum lugar que a minha geração acredita que a idade adulta se chega com 29 anos, e que, também, "os 30 são os novos 20". Não sei até que ponto posso me colocar a acreditar nisso mas sinceramente não vejo assumindo determinadas responsabilidades da "vida adulta" tão cedo. 

Mas isso é assunto para outro texto, há muito sobre o que se divagar e este espaço agora é, na verdade, sobre algo estranho que me ocorreu na conversa com meu amigo no fim de semana. Da minha infância. Precisamente das minhas amizades de criança. 

Na minha época (falando assim, parece que eu já estou na terceira idade, mas não se enganem), as pessoas na minha cidade, álias, a minha cidade era bairrista. As pessoas se conheciam pelos sobrenomes, famílias se conheciam, tinham aquela intimidade que só uma cidade pequena possuía. A tal da fofoca, rolava. Coisa bairrista. Coisa que, quase 20 anos depois, mudou completamente. A minha infância, eu cresci rodeado pelos mesmos amigos, pelas mesmas famílias, pelo mesmo convívio. Todos se conheciam. Os meus amigos assim eram desde o dia em que eu pisei na "escolinha" pela primeira vez, gordinho e com aquele cabelo tigela tão característico. Um pouco menos que uma década vivida dessa forma. Só quem viveu assim, sabe o quanto isso é bom. Lembranças e memórias em abundância foram geradas. Boas e ruins. Parte da vida. 

Mas este texto é sobre como a vida de cada uma dessas pessoas toma um rumo completamente diferente, coisas impensadas e diferentes. Quer dizer, não estou julgando, acredito que cada um tenha de viver sua vida da forma que bem desejar. O que me fez ficar pensativo e escrever é o fato de que, se hoje eu conhecesse aquelas pessoas, pela primeira vez, eu não seria amigo delas, sequer conhecido distante. Que coisa, não? 

Como as coisas mudam. É claro que eu só pude observar isso através de redes sociais. Apesar de tantas coisas controversas e idiotas que existem nas redes sociais, um lado importante é manter contato com quem realmente você conhece. E eu observo através de fotos, posts, textos, check-ins, como eu realmente não tenho completamente nada mais em comum com algumas dessas amizades de infância. Eu realmente passaria a oportunidade de conhecê-los, nos dias de hoje. Nada contra o estilo de vida, pelo contrário. Mas, como dizem, a ideia não bate. 

E foram inúmeras as tentativas de tentar revisita-los, conversar, manter contato. Até bate uma tristeza, mas aparentemente o que é passado é passado, literalmente, para essas pessoas. E isso, já faz tempo. 

Afinal, com o passar dos anos, já são 27 anos e contando, você perde a paciência para pessoas. Eu sou o tipo de cara que se não tiver afim de participar de algum evento social, por aparência, não marca presença. Não gosto de pessoas, por aparência. Não invento assunto, por aparência. Foda-se. De boa, de boa, tá ligado? A taxação de personalidade é tamanha, mas não estou nem aí. Tô de boa, sempre de boa. 

Vale o meu ditado, tá de boa, cola comigo, troca uma ideia, bebe uma breja e bora dar algumas risadas. Interesse parte de quem tem interesse. E sobre essas amizades, bem, acho que são passado mesmo.